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desabafos e afins

desabafos e afins

intuição

Janeiro 21, 2021

A minha intuição é engraçada. Às vezes tira férias, deixa-me sozinha e eu que lute contra tudo o que me vai aparecendo de surpresa. Mas nas restantes vezes... Naquelas em que ela fica e me alerta... Até tenho medo de mim!

 

Sou gaja e sou de Escorpião, ou seja, o combo perfeito relativamente à intuição. Já deixei de ir a sítios por causa dela. Já deixei de fazer investimentos por causa dela. Até já me afastei de pessoas por causa dela. Também já "adivinhei" uma gravidez (sem contar com a de uma amiga) e o sexo do bebé. No entanto, como referi no parágrafo anterior, a pequena às vezes deixa-me na mão e eu acabo por receber baldes de merda.

 

A coisa que mais odeio relativamente a isto de intuição é o que por acaso me aconteceu ontem. Deitei-me para dormir, mas não consegui adormecer pois de repente comecei a sentir aquela sensação. E aquela sensação específica eu já conheço. É uma sensação escura. Não sei explicar estas coisas, mas é um sentimento pesado no mau sentido. Como já me é familiar, fiquei apreensiva e com medo. Ainda tentei acalmar-me, que a minha mente tem por hábito pregar-me partidas e isto podia ser isso mesmo, uma partida. Só que não foi. E o que eu sabia que ia acontecer hoje, porque senti, aconteceu mesmo.

 

Não acontece sempre. Como já disse, na maioria das vezes sou apanhada desprevenida. Mas quando acontece...

o sem noção

Janeiro 15, 2021

Infelizmente, uma das maiores certezas que tenho na vida é que não há limites no que toca à estupidez.

 

Tenho um vizinho estúpido. Não é que seja o único, mas é sem dúvida dos mais estúpidos. E logo por azar... Toma lá morangos, é a ele que se paga a renda porque é ele o senhorio.

 

Ontem vinha do supermercado quando o encontrei na rua.

— Então, foste açambarcar com medo que falte? - perguntou de olhos fixos no mísero saco que eu trazia ao ombro (provavelmente a tentar decifrar o que lá estava dentro).

— Sim! - respondi sorridente com o sarcasmo que já me é natural.

Hoje voltei a encontrá-lo, desta vez quando passeava a minha cadela.

— Já está velhinha. - afirmou olhando para a minha patuda.

— Sim.

— Quantos anos tem?

— Doze.

— Ora doze, sete, sete vezes um, doze... Oitenta e quatro anos!

— Pois. - murmurei enquanto revirava mentalmente os olhos e questionava se o tempo não é igual para todos.

— Qualquer dia vai à vida.

 

Sim. O cabrão disse-me isto. Controlei-me e apenas lhe virei costas, mas a minha vontade era dizer que havia uma grande probabilidade de morrer ele primeiro. Só que dizer-lhe isto, mandá-lo à merda ou dar-lhe um pontapé no joelho em altura de pandemia não seria, de todo, favorável para o meu lado.

tinha mesmo de falar sobre isto

Janeiro 14, 2021

Há uns dias a Ju Romano fez esta publicação muito pertinente no Instagram. E é pertinente porque infelizmente é uma realidade com a qual muitas pessoas têm de lidar. Basta ler os comentários para percebermos o impacto que isto tem e a gravidade da situação.

 

Decidi trazer este tema porque já aconteceu comigo também. Sempre fui gordinha. Às vezes mais, outras vezes menos, mas gordinha sempre fui. Com dezanove anos entrei sozinha para uma consulta com o meu antigo médico de família. Ele achou por bem chamar-me obesa, exigir que eu fosse "dançar" para um ginásio e ainda me obrigar a trazer para casa uma embalagem de pílulas - contra a minha vontade, porque lhe disse que não ia tomar (e não tomei).

Lembro-me de sair daquele consultório triste e envergonhada. Eu sei que tenho peso a mais. E sabes como sei? Porque tenho espelhos em casa. Porque me toco. Porque conheço o meu corpo. Porque não nego cada curva e cada dobrinha - mesmo que por vezes as deteste.

 

Assim como falo sobre este tema, podia falar sobre tantos outros. A violência obstétrica, por exemplo. Pouco se fala sobre isso, mas existe e é bem mais frequente do que se pensa. É algo que me diz muito, não por já ter vivido, mas porque um dia posso vir a viver.

 

O desrespeito pelas pessoas vai muito além do que imaginamos. Todos os dias pessoas são silenciadas sem se darem conta. Eu mesma fui silenciada quando aquele gajo cuspiu na minha cara que eu era obesa, em tom sarcástico. Quando cagou três quilos para o que eu disse e anulou a minha vontade, entregando-me a caixinha cor de rosa de pílulas que eu não ia consumir.

O desrespeito pelas pessoas acontece, grande parte das vezes, em momentos delicados... Por parte de malta que se acha mais do que é e vale.

isto dos blogs...

Janeiro 13, 2021

Encontrei por aí um blog antigo... Um espaço onde escrevia mais depressa do que a mente assimilava. Um estaminé criado às três pancadas, cujo design me arrepia a espinha mas ao mesmo tempo aconchega o coração, pois embora não fosse nada daquilo que escolheria hoje, é-me familiar. Encontrei-o por aí e perdi-me por lá. Li, reli. Sensações boas e más. Lembranças. Um blog com poucos textos, poucos comentários e poucos seguidores, mas com muita emoção. Um blog muito meu - como sempre.

Assim como visitei aquela casa que abandonei, também visitei casas alheias abandonadas. E entrei-lhes nos cómodos, e observei-lhes as paredes, e toquei-lhes os móveis, e limpei-lhes o pó. Fiquei ali um tempinho, só a cuscar, só a conhecer, só a lembrar que ali viveu alguém mesmo que eu não saiba quem. Fiquei ali a admirar a beleza das palavras espalhadas, ou a dureza das feridas expostas. E perguntei-me, muitas vezes, o que levou os antigos moradores a ir embora. Perguntei-me, mais vezes ainda, se conseguiram o trabalho que tanto queriam, se concluíram o curso, se viajaram para o destino que tanto falavam, se o filho por nascer nasceu saudável, se o livro era realmente bom, (...).

coisas giras

Janeiro 09, 2021

Por onde começar, não é verdade? A minha vida é, basicamente, um conjunto de pequenas pérolas que a tornam tão docemente irresistível. Eis as desta semana:

 

• Ligar o ferro para passar umas calças e tropeçar na ficha;

• Sair de casa com o cabelo ainda húmido e cheiroso do duche, e ficar com ele a cheirar à ganza que o casaleco fumou à vez por mais de 200 metros à minha frente;

• Fazer toda a gente da casa procurar pelo meu telemóvel que, como sempre, estava no silêncio, para depois de cinco minutos exaustivos (e de desespero) eu apalpar o meu traseiro, dar um risinho tipo Lisa Simpson e dizer "encontrei, está aqui no bolso de trás das calças";

• Ainda na onda do telemóvel... Deixá-lo uma hora a carregar para depois desse tempo todo perceber que o cabo não estava bem colocado e por isso não carregou nada (quem nunca?);

• Encontrar a tarraxa do brinco caída no lençol e pensar "não me digas que perdi o brinco!". Tocar na orelha e encontrar o brinco, mas reparar que ele está mais abaixo do que devia. Perceber que, sem qualquer explicação, o brinco estava colocado no furo errado.

baú

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