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desabafos e afins

notas aleatórias (ou algo mais complexo)

notas aleatórias (ou algo mais complexo)

03.11.21

Desligo a net e viro-me para a direita. Depois para a esquerda. Depois para a direita novamente. Os pensamentos intrusivos voltaram e eu não consigo dormir. Ligo a net. Para quê? Desligo a net. É estúpido. Viro-me para a esquerda. Sinto calor. Tiro a coberta. Sinto frio. Viro-me para a direita. Tapo-me. Os pensamentos continuam aqui. Viro-me para cima. Desisto. Olhos abertos no escuro que tanto odeio. Não há um corpo que me abrace nem que eu possa abraçar. Não há ninguém do outro lado da linha que ampare uma queda tão tardia e... Estúpida. Que sussurre, porque já é tarde e não pode falar alto, que está tudo bem. Ou que vai ficar tudo bem. Porque vai, porra. Mas gostava que o dissessem assim, ao meu ouvido, com voz calma e firme de quem garante quando eu duvido. Um dia tudo encaixa, já falei sobre isso. Eu sei disso. 

Ligo a net de novo e vejo, também de novo, o que não queria ver. Como um choque que me acorda do transe; deste transe em que vivo. Novamente: é estúpido. A realidade é um comboio a alta velocidade e eu agachada a admirar a flor no meio da linha. Pronta a ser colhida porque me prendi por algo tão simples. Como se não houvesse um campo daquelas mesmas flores atrás de mim, fora da zona de perigo. Mas eu sou assim. São sentimentos-suicida que habitam em mim.

Não pratico edging com a vida porque gosto de a sentir por inteiro quando vem, quando tem de vir, quando é para ser. Mas depois daqueles minutos de felicidade extrema e adrenalina, sobra um vazio que me lembra que, na verdade, já é 1h15 e eu estou aqui sozinha, porque essa é a minha sina. 

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